Setor Financeiro Brasileiro

Mercado Financeiro de Consumo

O crédito total do sistema financeiro, incluindo as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.060 bilhões em março de 2015, após expansões de 1,2% no mês e de 11,2% em doze meses, ante variações respectivas de 0,4% e 11% em fevereiro. A evolução mensal refletiu a recuperação sazonal da demanda de crédito pelas empresas, além do maior número de dias úteis em março. O saldo destinado a pessoas jurídicas alcançou R$1.622 bilhões, aumento mensal de 1,6%, enquanto a carteira relativa às pessoas físicas cresceu 0,8%, ao totalizar R$1.439 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 54,8%, em comparação a 54,4% em fevereiro e 52,2% em março do ano anterior.

A carteira de crédito com recursos livres alcançou R$1.578 bilhões em março, com aumentos de 0,8% no mês e 5,2% em doze meses. O saldo das operações destinadas às empresas, R$792 bilhões, cresceu 1,3%, com destaque para os repasses externos, os financiamentos a exportações - ambas influenciadas pela depreciação cambial - e outros créditos (notadamente, aquisição de recebíveis). A carteira de pessoas físicas atingiu R$787 bilhões, com expansão de 0,4% determinada, principalmente, pela expansão do crédito consignado.

O crédito direcionado somou R$1.482 bilhões, após crescimentos de 1,6% no mês e de 18,4% em doze meses. Os financiamentos a pessoas físicas totalizaram R$652 bilhões, expansão mensal de 1,3%, impulsionada pelo crédito imobiliário. Nas operações destinadas às empresas, saldo de R$830 bilhões, o aumento de 1,8% foi determinado, principalmente, pelo desempenho dos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, condicionado pelo aumento dos desembolsos e pelos efeitos da depreciação cambial do período.

Considerada a evolução mensal das operações de crédito classificadas segundo a atividade econômica dos tomadores, que inclui pessoas jurídicas dos setores privado e público, sobressaíram os crescimentos mensais dos saldos relativos à indústria de transformação, dos serviços de transportes e do comércio, com saldos respectivos de R$450 bilhões (+1,1%), R$161 bilhões (+2,5%) e R$297 bilhões (+1,1). Em sentido oposto, prossegue a perda de dinamismo dos financiamentos destinados às empresas da indústria de construção, com recuo de 1% no saldo, situado em R$113 bilhões. Na segmentação por tipo de cliente, o crédito ao setor privado alcançou R$2.840 bilhões, após aumento de 1,1%, com maior contribuição das operações destinadas a pessoas jurídicas. O crédito para o setor público somou R$220 bilhões, variação mensal de 2,8%, traduzindo aumentos de 3% e 2,6% nas operações com entidades vinculadas ao governo federal e a estados e municípios, respectivamente.

Tabela 1: Evolução dos principais empréstimos pessoa física

Principais Operações de crédito PF
Saldo por modalidade
mar/14 mar/15 mar14/mar15
R$ Milhões Variação (%)
Cheque Especial 26.440 27.214 2,9%
Crédito pessoal 328.039 362.448 10,5%
Financiamento Imobiliário 357.386 452.119 26,5%
Financiamento de Veículos 189.952 179.629 -5,4%
Aquisição de bens 12.005 11.752 -2,1%
Cartão de crédito 141.615 155.697 9,9%
Outros 19.413 23.128 19,1%

Fonte: Banco Central (Saldo por final do período)

A modalidade cheque especial se caracteriza por taxas de juros relativamente altas quando comparadas as demais, de forma que os consumidores tendem a evitar esta modalidade de crédito. O contrato do cheque especial é renovado automaticamente, sendo os juros integrados ao valor da dívida se não forem pagos na data do vencimento.

O crédito pessoal também se caracteriza por taxas de juros altas, devido à necessidade de se compensar os elevados índices de inadimplência. É frequentemente utilizado por consumidores cuja disponibilidade de crédito é limitada. O crédito é disponibilizado em parcela única ao consumidor, que assume, em contrapartida, prestações de pagamentos mensais.

Já o mercado de financiamento de veículos é dominado pelos grandes bancos de varejo e por bancos vinculados às montadoras. As taxas de juros nesse mercado são extremamente competitivas. As instituições de menor porte presentes nesse mercado são focadas, na maioria dos casos, no segmento de veículos usados. Os índices de inadimplência são relativamente baixos e os empréstimos são garantidos pelo próprio bem financiado, o qual pode ser recuperado e leiloado em caso de inadimplência.

As operações de aquisição de bens englobam bens duráveis, tais como materiais de construção e utensílios domésticos ou outros, além de bens não duráveis, tais como vestuário e gêneros alimentícios. O mercado de aquisição de bens permanece como o mais fragmentado dentre todos os segmentos de financiamento ao consumidor no Brasil. Historicamente, os grandes varejistas têm financiado as compras de seus consumidores, mas vários acordos foram celebrados nos últimos anos entre os varejistas e os bancos interessados em assumir tais operações de financiamento.

O mercado de cartões de crédito também é dominado pelos grandes bancos de varejo. Trata-se de uma linha de crédito que apresenta índices de inadimplência altos e, consequentemente, altas taxas de juros para os consumidores

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Mercado de Crédito Consignado

O crédito consignado cresceu a partir da demanda de fontes alternativas de crédito. Historicamente, as linhas de crédito tradicionais têm sido onerosas para os consumidores, por diferentes razões, dentre as quais as dinâmicas competitivas na indústria bancária, a estrutura legal e institucional e a natureza dos riscos de crédito subjacentes. O principal fator de encarecimento destas operações de crédito é o risco, mitigado na modalidade de crédito consignado.

O crédito consignado cresceu 12,8% de março de 2014 a março de 2015 e foi uma das modalidades mais impactadas pelo aumento de taxas de juros, especialmente nos bancos públicos, aumentando a participação da modalidade no estoque de crédito pessoal de 70,0% em março de 2014 para 71,5% em março de 2015. A modalidade apresenta reduzido risco de crédito, em virtude de a maior parte das operações serem contratadas pelos funcionários públicos (61,2%), aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (31,3%), restando menos de 10% da carteira concedida para funcionários de empresas privadas, que possuem menor estabilidade no emprego.

Os bancos de varejo brasileiros cobravam à pessoa física, em março de 2015, em média, taxas de juros de 46,1% ao ano para linhas de crédito pessoal, enquanto que a média do mesmo período o crédito pessoal consignado foi de 26,8% ao ano, segundo dados do Banco Central. No período, a taxa média de empréstimos consignados a funcionários públicos ativos e inativos foi de 24,8%.

Tabela 2: Crédito Consignado dos Setores Público e Privado e do INSS

Crédito Consignado (R$ milhões)
Segmento mar/14 mar/15 Variação
Setor Público e INSS 211.311 239.683 13,4%
Setor Privado 18.280 19.349 5,8%
Total 229.591 259.032 12,8%

Os consumidores tendem a usar o crédito consignado para amortizar empréstimos de taxas de juros mais elevadas, tal como os da modalidade cheque especial.

O crédito consignado pode ser disponibilizado para a parcela da população brasileira que não possui conta bancária comum ou acesso aos canais tradicionais de distribuição bancária.

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Mercado de Crédito Rural

A agricultura e a pecuária desempenham papel estratégico na economia brasileira, principalmente na geração de recursos relacionados às exportações para a balança comercial do país. O crédito rural financia o custeio da produção e da comercialização de produtos agrícolas e pecuários e estimula os investimentos rurais, incluindo armazenamento, beneficiamento e industrialização de produtos agrícolas.

As principais fontes de recursos para o crédito rural são (i) direcionamento obrigatório de parte dos depósitos à vista captados, (ii) recursos de poupança rural, (iii) recursos livres de instituições financeiras, além daqueles relativos a encaixes obrigatórios, (iv) repasse de recursos de fundos constitucionais e empréstimos de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, e (v) recursos de programas do BNDES/FINAME. Ressalta-se que, por conta dos impactos da regulamentação neste segmento de crédito, tais operações apresentam margens financeiras substancialmente menores do que operações de crédito cujo funding é proveniente de recursos livres.

Tabela 3: Evolução do Crédito Rural no Brasil

Evolução do Crédito Rural no Brasil (R$ milhões)
Ano Valor Total
Histórico(1)
Variação Anual
2002 22.443 25,09%
2003 31.103 38,59%
2004 40.447 30,04%
2005 41.959 3,74%
2006 43.765 4,30%
2007 51.165 16,91%
2008 66.172 29,33%
2009 75.186 13,62%
2010 82.076 9,16%
2011 94.112 14,66%
2012 114.710 21,89%
2013 119.137 3,86%
2014 145.579 22,19%

Fonte: Banco Central 2015.
(1) Valores sem atualização.