Banrisul - Relações com Investidores Mobile
Quem cuida melhor de seu dinheiro na Bolsa

Quem cuida melhor de seu dinheiro na Bolsa
Os gestores que administram os fundos de ações com as maiores rentabilidades do mercado e como eles conseguiram chegar ao topo do pódio

MARIA LAURA NEVES

O BANRISUL, O BANCO ESTADUAL do Rio Grande do Sul, não é conhecido pela agilidade com que administra o patrimônio da clientela, como as pequenas butiques de investimento. Como todo banco estatal, leva fama de ser burocrático, ineficiente e pouco antenado nas novas tendências do mercado. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, o Banrisul mostrou que merece ser levado a sério.

Na pesquisa realizada por ÉPOCA, em parceria com a Quadrante Investimentos, de São Paulo, o Banrisul conquistou, sem alarde, o primeiro lugar na lista dos fundos de ações mais rentáveis de 2007, entre aqueles que aceitam depósitos de pessoas físicas abaixo de R$ 10 mil. Ele superou os gigantes do varejo nacional, como Bradesco e Itaú, e pequenas instituições menos conhecidas do grande público, como os bancos Fator e Daycoval, especializados na área. De acordo com o levantamento, o fundo Banrisul Ações teve uma rentabilidade de 75,6% no ano, até o dia 10 de dezembro. É bem mais que os 47,2% do Ibovespa, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo, uma espécie de termômetro dos pregões que reflete o desempenho médio das ações mais negociadas (leia o quadro na próxima página).

Segundo a economista Helena Biasotto, de 50 anos, que comanda a área de fundos do Banrisul, o resultado se deve à compra de papéis de pequenas e médias empresas da Região Sul, com alto potencial de valorização. Uma delas foi a Excelsior, empresa do ramo de alimentos com sede em Santa Cruz do Sul, no lnterior gaúcho. Só em 2007, os papéis, comprados anos atrás, renderam 358%, oito vezes mais que o Ibovespa. Outra foi a Josapar, de Pelotas, também no Rio Grande do Sul, que fabrica o arroz Tio João, uma das marcas mais vendidas no país. As ações da empresa tiveram alta de 128% neste ano. "Compramos os papéis quando ninguém queria saber deles", diz Helena. "Com o crescimento da demanda por ações, conseguimos vendê-los por preços atraentes."

Funcionária de carreira do Banrisul há 28 anos, Helena é uma exceção no mundo das finanças, que ainda é dominado pelos homens. Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, passou por diversos setores da instituição e hoje tem sob seu comando dois analistas e dois gestores responsáveis pelos fundos de renda variável do banco, como o Banrisul Ações, o campeão de rentabilidade do país em 2007.

A conquista do Banrisul ganha relevância por acontecer num período em que o retorno do investimento em ações superou o das principais aplicações financeiras, apesar das oscilações das últimas semanas. Segundo dados da Anbid, a entidade que reúne os administradores de fundos do país, os fundos de ações tiveram um ganho médio bruto (sem descontar o Imposto de Renda), até o dia 13 de dezembro, de 41,5%. No mesmo período, os fundos DI, que seguem a tendência dos juros, ofereceram um rendimento médio bruto de 11,3%, quase quatro vezes menos. A velha caderneta de poupança, embora esteja atraindo novos depositantes nos últimos tempos, rendeu apenas 7,1 %.

Não por acaso, os fundos de ações, considerados o veículo ideal para os pequenos e médios investidores aplicarem seus recursos na Bolsa, receberam um volume recorde de dinheiro novo. Até o dia 13 de dezembro, foram R$ 18,1 bilhões, de acordo com a Anbid, o equivalente a 30% dos R$ 62,6 bilhões depositados neste ano; em todos os tipos de fundos. Considerando a valorização das carteiras e a captação de novos depósitos, o patrimônio dos fundos de ações triplicou, desde o final de 2004, para R$ 128 bilhões.

No passado, os fundos de ações cobravam taxas de administração de até 12% ao ano, um recorde mundial, e eram gerenciados de forma pouco transparente. Muitos bancos recheavam as carteiras dos fundos com ações que recebiam em troca de dívidas não pagas. Dificilmente um fundo oferecia um retorno superior ao do Ibovespa. Com a chegada dos investidores estrangeiros no início dos anos 90, a coisa mudou. Hoje, o mercado se profissionalizou mais. As taxas de administração estão mais próximas do nível internacional, os gestores precisam abrir as carteiras dos fundos para o público e a gestão não depende mais apenas do "feeling" dos analistas. Agora, leva em conta, em geral, o resultado das empresas e dos setores em que elas atuam. Com isso, os fundos de ações passaram a conquistar novos adeptos em profusão.

É certo que o desempenho das aplicações em Bolsa deve ser medido no longo prazo. Mas, quando se analisa o retorno dos fundos de ações nos últimos três anos, o resultado é excepcional. Nesse caso, o fundo mais rentável da praça foi o Bradesco IBX Plus, com ganho de 256,1 %. Logo a seguir, vêm o Itaú Valor, com ganho de 245,2%, e o BRAM Ibovespa Alavancado, também do Bradesco, com rendimento de 234,3%. No mesmo período, o índice Bovespa teve uma valorização de 216,8%.

Se levarmos em conta os fundos que restringem seus investimentos a papéis da Vale do Rio Doce e da Petrobras, os resultados são ainda melhores. Neste ano, até o dia 13 de dezembro, o Bradesco BA Vale do Rio Doce, o mais rentável entre os fundos da categoria, teve um ganho de 100,9%. Mas, como tais fundos exigem pouca habilidade dos gestores, foram excluídos do levantamento. "As duas empresas se beneficiaram muito do crescimento da economia mundial e da alta dos preços das commodities", afirma Valmir Celestino, de 45 anos, responsável pela gestão dos fundos de ações do Banco Safra. O fundo de Vale do Rio Doce do Safra rendeu 96,7% no ano, até o dia 13, e ficou em nono lugar entre os mais rentáveis da modalidade.

Além do Banrisul, também se destacaram na gestão de fundos de ações em 2007 o Bradesco, com seis nomes na lista dos 25 mais rentáveis do país, e o Itaú, com três.
Fora os dois grandes bancos, uma pequena corretora de Porto Alegre, a Geração Futuro, conseguiu um honroso segundo lugar no ranking com o fundo Geração Programado, cuja rentabilidade ficou em 67,8% no ano. Lançado no final do ano passado, o Geração Programado é voltado apenas para pessoas físicas. Ele é "filhote" de um fundo homônimo, restrito a investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, que rendeu quase 1.000% nos últimos quatro anos.

Segundo o administrador de empresas Wagner Faccini Salaverry, de 30 anos, um dos sócios da corretora gaúcha, o sucesso do fundo deve-se à estratégia de investir num número limitado de ações. Desde 2001, o fundo mantém em carteira apenas nove empresas: Gerdau, Guararapes, Petrobras, Plascar, Randon, Taurus, Usiminas, Votorantim Papel e Celulose e Weg. Chova ou faça sol, são sempre os mesmos papéis. Ao concentrar os investimentos em poucos papéis, o fundo, hoje com quase R$ 900 milhões em recursos de clientes, detém participações relevantes no capital das empresas. É o segundo maior acionista de Plascar, Randon e Taurus e o oitavo da Usiminas. Uma vez por bimestre, os gestores do fundo realizam reuniões com os executivos das empresas. Periodicamente, fazem visitas às fábricas e às instalações. “A gente não compra pesquisas no mercado”: diz Salaverry. "Os encontros são fundamentais para acompanhar a gestão da empresa e influenciam nossas decisões de investimento.”

Outro diferencial da Geração é abrir a qualquer momento a composição de seus fundos para os clientes, quase um segredo de Estado nos grandes bancos de varejo. Só com atraso de três meses e mesmo assim obrigados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado - é que os bancões divulgam os papéis em que aplicam o dinheiro dos cotistas. "Quem quiser copiar nossa estratégia, copie”: afirma Salaverry. "Ela cria mais liquidez para as ações dos nossos fundos.”

No caso dos fundos do Bradesco, a instituição que mais tem fundos na lista dos mais rentáveis, a estratégia de gestão é bem diferente da adotada pelo Banrisul e pela Geração. Em vez de concentrar os investimentos em empresas que sempre estiveram sob controle privado, os gestores preferiram apostar na ex -estatal Vale do Rio Doce, hoje uma das maiores companhias do mundo na área de mineração, e na Petrobras, controlada até hoje pelo governo, entre ações de outras empresas com menor peso nas carteiras. Mas, assim como o pessoal das duas instituições gaúchas, o Bradesco conseguiu alcançar excelentes resultados. "Avaliamos a Vale e a Petrobras no início de 2007 e concluímos que elas teriam um grande crescimento neste ano", diz o economista Herculano Anibal Alves, responsável pela gestão dos R$ 20 bilhões aplicados em fundos de ações do Bradesco.

O Itaú, outro grande banco que alcançou posição de destaque no levantamento de ÉPOCA, seguiu estratégia semelhante à do Bradesco na gestão do Export, um dos três fundos que emplacaram na lista. Voltado para ações de empresas exportadoras, como o próprio nome diz, o Export alcançou bom resultado, de acordo com o economista Walter Mendes, responsável pela área de fundos de ações do Itaú, em razão do grande peso que as ações da Vale do Rio Doce têm na carteira.

Já no caso dos outros dois - o Valor e o Personnalité Valor (filhote do primeiro) -, a estratégia foi bem mais agressiva. Mendes, que conta com o apoio dos administradores Marco Antônio Carregari e Guilherme Rebouças Oliveira na gestão desses fundos, afirma que suas carteiras procuram incluir os papéis mais atraentes do momento. Não há uma preocupação em reproduzir a carteira do Ibovespa e demais índices da Bolsa paulista, como os fundos mais conservadores. "O investidor amadureceu e está buscando novas alternativas de investimento para diversificar o portfólio”, diz Mendes.
É certo que glórias passadas não garantem desempenho futuro. Ao longo da História, não faltam exemplos de quem perdeu dinheiro grosso ao aplicar em fundos que haviam subido ao pódio pouco tempo antes. Mas, na hora de escolher o fundo de ações que merece receber seu dinheiro, o retrospecto dos fundos é algo que nenhum investidor pode descartar. Ao menos é um indicador de que os gestores estão comprometidos em cuidar (bem) do patrimônio alheio.

Por dentro do mercado
Quais são os diferentes tipos de fundos de ações na praça

Ibovespa Indexado
- Tem o objetivo de acompanhar a variação do Ibovespa, o tradicional índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Criado em 1968, o Ibovespa reflete o desempenho médio das ações mais negociadas nos pregões nos últimos 12 meses. Sua composição é revisada a cada quatro meses. Hoje, inclui 55 ações.

Ibovespa Ativo
- Adota o índice Bovespa como referência, mas tem o objetivo explícito de superá-lo. O gestor investe nas ações do índice que julga ter maior potencial de valorização. Não procura reproduzir, necessariamente, a carteira de papéis do índice, como os fundos indexados.

Ibovespa Ativo alavancado
- Assim como no caso do Ibovespa Ativo, o gestor adota o índice da Bolsa paulista como referência e tem como meta superá-lo. A diferença é que, nesse caso, ele pode realizar operações no mercado futuro, de maior risco, para tentar aumentar o ganho.

IBX lndexado
- Tem como meta acompanhar o desempenho do índice IBX, que reflete o desempenho médio das cem ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo. O IBX leva em conta também o volume de ações disponível para negociação em Bolsa, ou seja, que não estão em poder dos controladores das empresas. A composição do índice é revisada a cada quatro meses.

IBX Ativo
- Adota o índice IBX como referência, mas tem o objetivo explícito de superá-lo. O gestor investe nas ações do IBX que julga ter o maior potencial de valorização. Não procura reproduzir, necessariamente, a carteira de papéis do índice, revisada a cada quatro meses, como os fundos indexados.

IBX Ativo alavancado
- Assim como no caso do IBX Ativo, o gestor adota o índice como referência e tem como meta superá-lo. A diferença é que, nesse caso, ele pode realizar operações no mercado futuro, de maior risco, para tentar aumentar o ganho dos investidores.

Ações Setoriais
- Investem em ações de setores específicos da economia, como telecomunicações ou energia. O gestor procura investir nos papéis de empresas que oferecem a melhor perspectiva de valorização.

Ações Outros
- Não seguem indicadores, como Ibovespa e IBX, nem restringem seus investimentos a ações de um setor específico da economia, como os fundos setoriais. O gestor pode adotar uma estratégia própria de compra e venda de ações.
Pode ou não realizar operações no mercado futuro, de maior risco, para tentar aumentar o ganho dos investidores.

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